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A ex-ministra das Finanças cabo-verdiana Cristina Duarte disse hoje que o anterior Governo procurou parceiros para a privatização da TACV em quase 30 países, justificando o insucesso com a reduzida dimensão do mercado e a situação financeira da empresa.

"Durante 10 anos levei o dossiê dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) debaixo do braço", disse Cristina Duarte.

A ministra das Finanças dos Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) entre 2006 e 2016 foi ouvida hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da companhia pública de aviação de Cabo Verde.

Cristina Duarte lembrou que a privatização da companhia aérea pública entrou na agenda do Governo desde a primeira hora, em 2001-2002, inserida na visão estratégica para o desenvolvimento do país.

Segundo Cristina Duarte, a privatização previa o saneamento da empresa, a busca de um parceiro estratégico a quem vender parte do capital e a manutenção da empresa por uma questão de soberania.

"Foi com estes parâmetros que durante estes anos fomos em busca de parceiros nos Estados Unidos, Brasil, Japão, Singapura, Etiópia, África do Sul? Pode chegar a 30 países", acrescentou.

"Tentamos, mas não conseguimos", admitiu.

A antiga governante justificou o insucesso com os desafios das ligações aéreas internas e ao mundo num país com 10 ilhas e com um mercado de 500 mil habitantes, as próprias condições do mercado de aviação e a situação financeira da empresa.

Sobre a situação financeira da TACV, que acumula um passivo de mais de 100 milhões de euros, Cristina Duarte reconheceu que a renovação da frota, em 2011, teve um "impacto negativo" nas contas da empresa.

Disse ainda que o último reforço de capital feito na companhia foi em 2013, tendo, a partir dessa altura, o Estado passado a avalizar empréstimos para financiar despesas relacionadas com as reformas estruturantes da empresa, mas não para despesas correntes de tesouraria.

Cristina Duarte confirmou ainda ter rejeitado a proposta da companhia área das Canárias Binter de monopólio no mercado doméstico, estranhando que ela tenha sido aceite pelo Governo do Movimento para a Democracia (MpD), que entrou em funções em 2016.

"A proposta que a Binter fez ao MpD foi exatamente a proposta que nos fez: monopólio no mercado doméstico. A diferença é que o Governo do MpD aceitou e o do PAICV não", disse Cristina Duarte.

"O mercado doméstico foi fechado, cativado e colocado ao serviço da Binter e, para isso, o Governo do MpD não se coibiu de encerrar a TACV doméstica. É uma posição, que não nos impede de estranhar por o MpD ser um partido que defende a abertura de mercado. No caso concreto, fez exatamente o contrário da sua matriz ideológica", sublinhou.

Cristina Duarte manifestou também "estranheza" por o atual Governo não ter ainda disponibilizado as contas da TACV relativas a 2016 e 2017.

"Acho estranho que o Governo mande instaurar um processo de investigação e não siga o mesmo princípio de fazer com que a sua empresa apresente as contas. Há claramente aqui um problema de coerência", disse.

A Comissão Parlamentar de Inquérito foi criada em julho do ano passado, por proposta do MpD, para averiguar os atos de gestão da TACV desde 1975.

A empresa de Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) deixou de fazer voos domésticos entre as ilhas cabo-verdianas que, desde agosto, passaram a ser assegurados em exclusividade pela Binter Cabo Verde, empresa em que o Estado cabo-verdiano deverá entrar com 49% do capital.

Paralelamente, o Governo assinou um acordo com o grupo Icelandair para a gestão da operação internacional da companhia e reestruturação da empresa com vista à sua privatização, sendo que nenhum dos acordos foi divulgado publicamente.

Com Lusa

Comentários  

0 # Carvalho 16-02-2018 10:15
Pelos vistos jentil cabral, não entende nada do leu.
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0 # arthur 15-02-2018 14:52
Aahahaha.
Gostei do Magazine de Santiago.
Passaram a censurar a palavra "[censurado]"
Não se esqueçam da pqp.
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+2 # Gentil Cabral 14-02-2018 12:48
Não sei se choro, ou se mando esses gajos todos pra cadeia. Com que então, o Paicv levou 15 anos, bateu em 30 países e não conseguiu resolver o problema dos Tacv, o o UCS em menos de um ano e meio encontrou uma solução e ainda assim o Paicv é contra. Duas conclusões, rápidas: a) o Governo do Paicv e do JMN tinham uma re[censurado]ção internacional tão má que ninguém acreditou nos seus negócios. Afinal, ao alterar o contrato da Electra e da CVTelecom, os empresários internacionais viram o regime comunista do Paicv como infiel; b) JMN deu corpo mole no tratamento da questão dos TACV, primeiro de modo negligente e incompetente; segundo, tudo fizeram para acabar com os TACV para puder entregar de bandeja aos militares do MPLA e aos filhotes do José Eduardo dos Santos. Só isto explica tamanha incompetência do Governo do Paicv. Cristina, coitada, nunca geriu coisa alguma, não viria a ser ela e gerir o dossier dos Tacv. Mas espera-se que o Ministério Público senta essa gentália no banco dos réus pelos danos causados ao País. A solução encontrada pelo UCS e OC não são as melhores do mundo, mas bem melhores que o inactismo militante dos JMN e suas gentes que tudo fizeram para matar a empresa. Aliás, JMN disse que a TACV era o "cancro" da nossa economia. É bom que começa a dar resultados.
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0 # #Santiaguense 12-02-2018 23:20
Espero que lá mais à frente, quando esta CPI estiver se aproximando do término deste inquérito Parlamentar, ainda lhe reste algum tempinho para inquirir a gestão danosa da TACV deste a posse do actual Concelho de Administração e do actual governo, nomeadamente a entrega de bandeja da operação doméstica à Binter, em regime de monopólio, desde Agosto de 2017, o custo da devolução prematura do Boeing Imigrante ao seu dono, o custo de wet leasing dos aviões da Icelandair. Antes eram (2). Agora para contentamento do Ministro da Economia, passaram para (3) aviões e o custo wet leasing deve rondar 3 milhões de dólares/mês. A opção de praticamente deixar a operação a partir do aeroporto da Praia e se mudar para Ilha do Sal. Que se lembrem os Senhores de[censurado]dos de perguntar quantos passageiros estão sendo transportados para a ilha do Sal ou com escala nela. A TAP neste momento tem 10 voos semanais de Lisboa para a Cidade da Praia e 7 para a Ilha do Sal. A TACV tem neste momento 1 voa da Cidade da Praia para Lisboa e 7 da Ilha do Sal. Que especialmente o Sr. de[censurado]do Luis Silva inquira se tudo isto não cheira gestão danosa. O mais chocante é ver toda a oposição a deixar o governo fazer tudo o que lhe dá na gana,com a TACV, enganando tudo e todos, utilizando para o efeito dinheiro de todos nós. Para finalizar, julgo oportuno se inquirir se o dinheiro disponibilizado para indemnização dos trabalhadores da TACV não está sendo utilizado para pagar aluguer (wet Leasing) de 3 aviões da Icelandair.
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+1 # Djosa Neves 13-02-2018 18:22
Estratégia, meu caro, falta-lhe enxergar o ALCANCE do novo modelo que se está estruturando. Enquanto se alimentar da mesquinhez, ficará por aí mesmo. A SOLUÇÃO deste país está em implementar um modelo que lhe permita virar do AVESSO, sair dessa mesquinhez e ir para o mundo. Acorde e participe. A TACV, seguindo este modelo, a médio prazo será uma empresa de SUCESSO e das mais internacionalizadas do país. O modelito do 1% não oferece qualquer saída para um futuro DIGNO.
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